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No teu Olhar
sexta-feira, 20 de abril de 2012 @ by Victor @ - 0 Comentários 15:57

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Ando perdido, errante
Mas assim andei a vida inteira
Até nos meus dias de maior lucidez
Pois ando perdido, não de tudo, mas de mim
E por ai ando, sem destino
À procura de alguém; de mim mesmo
A única vantagem: sei onde procurar
Em um par de olhos, em cada olhar
Pois o meu “eu” de verdade
Só uma pessoa pode ver e amar
É por isso que me procuro
Mas não é a mim que quero achar
Procuro alguém, embora ainda não saiba quem
E assim, nos olhos da multidão, tento me encontrar
E quando acontecer, espero que você também
Encontre o seu reflexo no meu olhar

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A last miracle?
domingo, 8 de abril de 2012 @ by Victor @ - 0 Comentários 00:36

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  Por algum motivo, John não se sentia tão mal estando de volta ao apartamento. Embora muitas coisas não estivessem lá, tudo que não pudesse ter tanta utilidade permanecia no mesmo local. Os livros haviam sido doados a bibliotecas; a aparelhagem, microscópios e todo o equipamento científico havia sido dado a Molly, porém doado logo em seguida para outros laboratórios. "Não vou conseguir usá-los. Além do mais, já tenho o que preciso" ela disse, entre lágrimas.
  Mas todo o resto continuava lá. Tudo a que a senhora Hudson não havia encontrado um motivo para tirar dali permanecia intocado. A caveira, esquecida e empoeirada. A geladeira, sem uso, e as poltronas desgastadas demais para serem de interesse de qualquer um. Aqueles pedaços sólidos das memórias traziam o passado à tona. Era como se estivessem aguardando que Sherlock voltasse. Como se pequenas partes ainda resistissem a sua partida, embora todo o resto já tivesse aceitado. E assim era com John.
  Ele podia ver Sherlock sentado na poltrona, assistindo televisão sem de fato se interessar. Podia vê-lo deitado no sofá com os adesivos de nicotina; ou talvez, em pé no meio da sala, atirando na parede. Fechando os olhos, ele podia ouvir o violino, cada uma das músicas que ele já havia escutado ali pareciam se mesclar em uma única e final sinfonia de adeus.
  Embora ele soubesse que Sherlock nunca mais entraria no 221B, estar ali parecia desmentir tudo. Os furos nos jornais, as histórias na internet. Sherlock ainda respirava, ainda pensava, e ainda vivia naquele apartamento. Estavam ali, todas as provas. Sherlock Holmes ainda vivia em Baker Street, não importava que uma lápide ostentasse seu nome em um cemitério. Não importava que mil lápides afirmassem que ali descansava o corpo de Holmes; seriam apenas mil mentiras.
  John fechou os olhos, respirando fundo. Um silêncio enchia todo o ambiente, agora que a última sinfonia havia acabado. Não o silêncio mórbido do luto, mas o silêncio cheio de significado, que ele tão bem conhecia, quando Sherlock estava pensando. Sim, era verdade. Se ele abrisse os olhos agora, ele o veria, em pé, parado, com aquele olhar fixo em algum ponto dentro da própria mente, prestes a solucionar mais um caso.
  E quando John abriu os olhos, por um instante, foi isso que viu. A imagem era tão real que se ele estendesse o braço, tinha certeza que tocaria o ombro do sobretudo escuro. Se ele quisesse, poderia dá-lo um belo soco por provocar tudo aquilo. Mas o que John Watson fez foi se aproximar e abraçar Sherlock Holmes. Abraçar a mais palpável de todas as lembranças. Ele quase podia sentir o calor natural que emanava de seu corpo. Se houvesse um corpo. Se houvesse mais alguém, além dele, naquela sala. E como pó, Sherlock Holmes sumiu no ar, tão rápido quanto havia caído daquele prédio.
  Watson deu por si com lágrimas não só nos olhos; as pequenas gotas salgadas escorreram por seu rosto e chegaram-lhe aos lábios. Era estranho, mas o que ele percebeu naquela hora era que a tristeza tinha gosto. E era salgado. Talvez por isso ele tenha tirado do bolso um chocolate comprado horas antes, e talvez por isso tenha funcionado, espantado um pouco de sua dor. A tristeza não era doce, nunca foi.

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